quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Mangina x Cafajeste: O Homem Honrado



Inicio polemizando a respeito do masculinismo. Tenho reparado ao longo da minha vida que existe um comportamento masculino programado visando o sucesso só que totalmente fadado ao fracasso. 

Quero falar sobre o mangina (termo do inglês que significa man + vagina = mangina, homem-vagina numa tradução livre) que é aquele camarada capaz de fazer de TUDO por uma mulher, com a maliciosa intenção de possuí-la sexualmente. O problema é que o TUDO envolve humilhações, decepções, despesas, sofrimento e toda uma gama de infortúnios que o rapaz está disposto a viver somente para que ele conquiste o coração daquela mulher que ele crê ser especial. O idiota geralmente se apaixona pelo que chamo mulher vulgar, a que não o valoriza e se aproveita dele iimpiedosamente.

O Mangina

Vamos aqui desenhar situações a que se submete o infeliz mangina:

  •         Ouvem todas as lamúrias da moça, seus problemas financeiros, pessoais e emocionais, principalmente os “foras” que leva dos cafajestes com quem costuma sair. Fica na expectativa de que ela olhe para ele e o veja como o homem perfeito, que a cuidará e a amará como a uma princesa encantada. O resultado é que ela ancora sentimentos negativos à imagem do mangina e sentimentos positivos no seu oposto, o cafajeste, e assim o coitado jamais sai da famigerada “friendzone";
  •         Quando estão juntos,  em momentos descontraídos, não é raro que carregue peso para ela, que se submeta a situações ridículas como usar coleira, maquiagem, servir de montaria, beijar-lhe os pés etc. Normalmente ele o faz tentando declarar sua paixão à moça, e ele não entende porque ela se atira para cima daquele cara que a ignora;
  •         O mangina costuma defender o romantismo, aquele mesmo que o faz comprar buquê e bombons para a amada, dar-lhe bilhetes anônimos, recitar-lhe poemas, presentear-lhe com joias, livros, filmes, discos... O ingênuo confunde sensibilidade com feminilidade. Mulheres heterossexuais são atraídas por características tipicamente masculinas, costumeiramente evidenciadas nos cafajestes. Enquanto estes transam com a gata, o Mr. Nice Guy chora em casa, solitário e platônico;
  •         O mangina aparece nos noticiários como o trouxa que se suicidou por amor, muitas vezes “levando” a amada com ele. É comum a mídia mostrar valorosamente homens se sacrificando por mulheres que sequer lhes agradecem. Há no mangina esse espírito crédulo e imaturo de que as mulheres são anjos e não seres humanos com virtudes e vícios;
  •         Na política, é comum o mangina confundir feminismo com femismo. Ele acha que defender privilégios das mulheres é defender seus direitos. Não é. Numa democracia, todos os cidadãos são iguais perante a lei. IGUAIS. Não é preciso privilegiar ninguém quando se aplica a igualdade respeitada a diversidade. Mulheres não são inferiores nem superiores ao homem, apenas são diferentes e complementares. Mas o mangina distorce tudo pois ele quer agradar a menina do coração dele, agindo como o seu herói particular... Uma tolice;

Como ficou evidenciado, o nosso amigo mangina é um ingênuo sexual, é o cara que confia na mídia e no que ela lhe vende. É o informado alienado, pois valoriza mais o mundo das ideias que o mundo das formas.

O cafajeste

  •         Já o cafajeste é a antítese do pobre mangina. Frio, calculista e manipulador, esses escroques usam e abusam das mulheres sexual, emocional e até financeiramente! Não hesitam em tirar o suco e jogar o bagaço no lixo. Para ele, a mulher é um mero pedaço de carne.
  •         Tendo personalidade forte, viciante, atraente e dominante, nada mais normal que as mulheres de caráter fraco caiam nos seus braços e se submetam a toda sorte de abusos. Eles têm estilo de vida incompatível com o do mangina: vivem perigosamente, em aventuras, em luxúria, adrenalina... conseguem oferecer às mulheres prazeres sensuais em troca de sexo. Evidentemente que há somente interesse da parte dele, nenhuma emoção.

A grande questão é que as mulheres que se submetem a esses patifes têm o perfil delineado: possuem uma autoestima baixa, que artificialmente escondem com posturas vazias, exibindo um poder sexual que creem ser capaz de dominar a tudo e a todos; Têm um ego do tamanho da Terra, já que amam ser paparicadas pelos ignorados manginas inseguros e sonham em converter um cafa em um homem fiel, sendo esta a principal razão/desculpa para se deixarem levar pelos “caras erados”. E sempre concluem que “os homens são todos iguais”. São as mulheres vulgares.

O Homem Honrado e a Mulher Digna

Mas então, ninguém se salva? Não é bem assim. O homem para se defender dessas armadilhas da sociedade não pode nem ser um mangina nem um cafa. Deve estar acima dessa borra, ou seja, ser um HOMEM HONRADO. Não estou falando de valores conservadores do tipo tradição-família-propriedade, não! Honrado é o homem que conhece seu valor, respeita a si mesmo e a todos que o respeitem. Ele entende e pratica o amor ágape, não se deixando enganar pelo doce amor romântico. Ele sabe reconhecer e relacionar-se com uma mulher vulgar e uma MULHER DIGNA.

Aparentemente em extinção, a mulher digna costuma saber diferenciar liberdade de libertinagem. É responsável pela própria vida, independente, honesta, sincera, segura de si. Não se vitimiza e nem se destrói com relacionamentos nocivos. Defende seus direitos sem subjugar ninguém. Sabe ser carinhosa, delicada, sensível e feminina sem que isso abale sua força emocional e pessoal. Sabe liderar e construir, edificar. Jamais abaixa a cabeça nem persegue ou sente-se perseguida, não se agarra em futilidades, mesmo sem deixar de ter seus interesses. Reconhece o esforço das pessoas e não é sexista. É uma pessoa de bem e correta.

Infelizmente essa mulher existe, não é perfeita claro, mas tem aos montes por aí. Mas são invisíveis aos olhos da mídia, da indústria do amor romântico, que nos empurra seriados fantasiosos e novelas mixurucas sobre relacionamentos ardentes e impossíveis, frustrando essas mulheres, que não obtém o reconhecimento que merecem. Conhece o trabalho de Zilda Arns? De Luiza Trajano? Poucos conhecem. Mas todo mundo sabe quem é Nicole Bahls, Bruna Surfistinha e Mulher Melancia. Essas são o exemplo da geração “Crepúsculo”.

O homem honrado precisa se ater a esses detalhes e encontrar a mulher mais próxima do perfil de mulher digna. O homem honrado é antes de tudo um resistente nessa sociedade doente que mata crianças por lucro e busca se situar para desempenhar o seu papel, com amor próprio e coragem para transformar o mundo num lugar melhor.

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